domingo, 18 de janeiro de 2015

NUNCA SEI O QUE DAR DE PRESENTE



* Por Frederico Mattos
Não é incomum encontrar algumas pessoas que têm uma extrema dificuldade de dar presentes em épocas de festividades. Duas coisas explicam esse bloqueio pessoal.
A primeira e mais recorrente explicação é uma certa cegueira funcional que impede a pessoa de prestar atenção na outra e reparar nos padrões, hábitos, comentários positivos que ela faz sobre a vida. Pense com calma se a pessoa é campestre ou urbana, se gosta de certo tipo de música ou esporte, não seria muito complexo imaginar algum tipo de presente que lembre a pessoa amada da experiência acolhedora. “Mas sou distraído, Fred”. Exato, sua distração é uma confirmação que você está mais preso nos seus pensamentos e interesses na maior parte do tempo e que é incapaz de reparar nos outros a ponto de guardar uma informação valiosa. Se alguém perguntar o que você gostaria de ganhar, a resposta é rápida, pois de modo geral está ligado em si mesmo, mas falta empatia para com o outro.

A segunda explicação que complementa a anterior é a incapacidade da pessoa bancar suas escolhas, mesmo que sejam erradas. Ela prefere passar por desatenta ou incapaz do que por insuficiente. Na hora de dar presente, prefere pensar em seu próprio constrangimento em errar no presente do que enfrentar sua sensibilidade excessivamente infantil e tentar despertar na outra algum tipo de reação positiva e alegre. É como se ela dissesse “prefiro desapontar você a desapontar a mim” e então segue negligenciando qualquer tipo de doação por medo de dar de mais ou de menos.
Seja por egoísmo/distração ou vaidade/medo de errar, a pessoa que não “sabe” dar presentes está fechada numa mentalidade de receber mais do que oferecer e por esse motivo acaba desapontando os outros pela sua incapacidade de olhar ao redor e capturar a alegria do outro.



Nenhum comentário:

Postar um comentário